A Justiça dos Estados Unidos permitiu que a XP Investimentos obtenha provas para uma investigação criminal em curso na Polícia Federal em São Paulo contra o CEO da Grizzly Research, Siegfried Eggert. Ele é suspeito de difamação e manipulação de mercado após sua empresa de análise financeira publicar um relatório comparando as operações da controladora da XP a um “esquema Ponzi”. O resultado positivo é fruto da atuação conjunta do escritório Reed Smith, contratado pela XP nos EUA, e do Fragoso, que requereu a instauração do inquérito na PF e colaborou ativamente com os advogados americanos.
Entenda o caso
Após a publicação de um relatório da Grizzly, considerado difamatório pela XP, em março de 2025, o Fragoso Advogados solicitou a abertura de um inquérito na Polícia Federal contra Eggert. Com o objetivo de ter acesso a documentos e depoimentos relevantes para o avanço da investigação no Brasil, a XP contratou o escritório americano Reed Smith, que ficou responsável por apresentar um pedido de discovery à Justiça dos EUA.
Durante a elaboração da petição, Rodrigo Fragoso colaborou ativamente com os advogados do Reed Smith, fornecendo informações do inquérito da PF e materiais apresentados às autoridades brasileiras. O sócio do Fragoso também elaborou uma declaração para explicar o funcionamento da legislação brasileira, o cabimento jurídico da medida e a forma como as provas obtidas seriam utilizadas na investigação conduzida pela Polícia Federal.
Em julho, o Tribunal Distrital do Distrito de Delaware autorizou a coleta das provas, mas a Grizzly contestou a decisão. Durante a disputa judicial, Rodrigo Fragoso produziu uma segunda declaração, na qual rebateu os argumentos da empresa americana e reforçou os fundamentos do pedido. Em 30 de setembro, a Corte rejeitou a contestação da Grizzly e permitiu a continuidade do procedimento de discovery, reconhecendo a relevância das informações solicitadas pela XP para a investigação no Brasil.
“Como a empresa investigada é americana e está sediada nos EUA, as autoridades brasileiras não poderiam requerer diretamente documentos e informações fundamentais para a apuração dos fatos. A decisão vai permitir a apresentação das provas obtidas às autoridades brasileiras”, afirmou João Pedro Fragoso, que também atuou no caso.
O inquérito tramita em sigilo. Para mais detalhes, veja uma reportagem do Latin Lawyer.