A Polícia Civil de São Paulo está investigando um advogado suspeito de falsificar substabelecimentos para tentar sacar valores depositados judicialmente em nome de seguradoras. A suspeita se deu em um processo judicial de 2010 da Sul América Seguros, que tramitava na 2ª Vara Cível do Foro Regional do Tatuapé, em São Paulo, onde havia um depósito judicial de R$ 81.701. Apresentando um documento falso para representar a companhia, o advogado pediu em novembro de 2025 a transferência do dinheiro e a exclusão dos procuradores que já atuavam no caso.
A atitude levantou suspeitas após a representante jurídica da empresa negar a assinatura do documento. A advogada à frente do caso, Isabella Angelici, explica que o Fragoso Advogados foi acionado após a seguradora confirmar que o substabelecimento apresentado pelo advogado era falso. A prioridade foi proteger o patrimônio do cliente, e a maior dificuldade do caso foi localizar o investigado e reunir provas contra ele.
“Ele foi intimado e não compareceu nem justificou a ausência. A investigação de campo mostrou que ele tinha vendido o apartamento indicado nos cadastros havia mais de um ano. Diante disso, foi necessário pedir busca e apreensão, uma medida que, no escritório de um advogado, exige fundamentação mais robusta, acompanhamento de representante da OAB e restrição aos objetos ligados à investigação”, relata.
Segundo Isabella, a seguradora orienta expressamente os escritórios que a representam a indicar para depósito apenas os dados bancários da própria companhia, em qualquer pedido de levantamento de recursos. No caso em questão, porém, o advogado suspeito indicou sua conta pessoal para a transferência do depósito. “Depois disso, a companhia revisou internamente sua base de processos e encontrou uma situação quase idêntica em uma execução que tramita em Santo André. Lá havia um depósito de 1997 que, atualizado, chega a cerca de R$ 121 mil”, afirma. Para a advogada, depósitos judiciais antigos que ainda não foram levantados são alvos atraentes para esse tipo de fraude. “Mapear e levantar esses valores, acompanhar pedidos de habilitação de novos procuradores em processos arquivados e manter a política de transferências apenas para a conta institucional são medidas simples que reduzem bastante esse risco”, afirmou a advogada do Fragoso.
O caso foi noticiado pelo portal Migalhas. Leia aqui a matéria na íntegra.