Rodrigo Fragoso, sócio do escritório Fragoso Advogados, participou nesta quarta-feira (4) da II Conferência de Segurança Pública – iLab Segurança 2026, realizada em Brasília, e tratou das fraudes no sistema de saúde suplementar em mesa sobre enfrentamento ao crime organizado em setores produtivos.
Ao lado do promotor de Justiça do MPRJ Bruno Gangoni, no painel “Combate ao crime organizado nos setores produtivos”, o advogado apresentou um diagnóstico sobre a atuação de esquemas ilícitos no setor e destacou a necessidade de fortalecer mecanismos de prevenção e responsabilização diante de práticas que provocam prejuízos às operadoras e atingem os beneficiários.
A conferência, de 3 a 6 de março, reúne autoridades das forças de segurança pública e representantes do setor produtivo para discutir estratégias de cooperação institucional e formulação de políticas voltadas ao combate a atividades ilícitas que impactam a economia.
Fragoso afirmou que o crime organizado passou a explorar vulnerabilidades no setor de saúde suplementar. Ele atribuiu a expansão dessas práticas a lacunas institucionais. “O crime organizado não invadiu o setor de saúde suplementar pela força — entrou pela brecha. Aproveitou a digitalização acelerada dos serviços, a fragilidade dos controles de identidade e a ausência de compartilhamento de inteligência entre reguladores”, explicou.
Na avaliação do advogado, esquemas como multicontratação fraudulenta demonstram o grau de sofisticação das práticas. Segundo ele, essas operações provocam prejuízos financeiros relevantes para as operadoras e podem utilizar dados de beneficiários que desconhecem a utilização de suas informações.
O advogado também defendeu maior articulação entre instituições responsáveis pela fiscalização e investigação. Para ele, a ausência de integração entre órgãos como Ministério Público, Banco Central, Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) e conselhos profissionais mantém a resposta estatal atrás da dinâmica das fraudes.
O evento busca alinhar diagnósticos entre as forças de segurança e transformar experiências operacionais em propostas de políticas públicas com potencial impacto no Congresso Nacional e nas agendas estaduais. A edição deste ano aprofunda o debate sobre a atuação do crime organizado em atividades econômicas e discute instrumentos de asfixia financeira do ilícito, inteligência regulatória e cooperação entre Estado e setor produtivo. A edição anterior da conferência registrou mais de 4,2 mil participantes presenciais, reuniu 160 autoridades e decisores e alcançou cerca de 39 mil pessoas impactadas, segundo dados da organização.
A conferência ocorre no Centro Internacional de Convenções do Brasil (CICB), em Brasília. O espaço concentra plenária, feira e áreas de convivência no mesmo piso, estrutura que busca facilitar a circulação de participantes e ampliar a interação entre autoridades, expositores e gestores presentes.