A jornalista Míriam Leitão, colunista do Jornal O Globo, publicou nesta terça-feira, 30 de junho, um texto em homenagem aos 85 anos de Clarice Herzog, esposa de Vladimir Herzog, morto pelo regime militar em outubro de 1975. Ao falar sobre a luta da mulher pela responsabilização do Estado, Leitão destacou que o jurista Heleno Fragoso, fundador do Fragoso Advogados, foi o primeiro advogado a assumir a causa, que terminou com uma condenação histórica da União pela morte do jornalista em 1978.
Míriam Leitão registrou na coluna que o jornalista Zuenir Ventura foi quem procurou Heleno Fragoso. Após a entrada do jurista no caso, outros advogados passaram pelo processo, como Sérgio Bermudes, Marco Antonio Rodrigues Barbosa e Samuel MacDowell.
O texto de Míriam Leitão reconstrói os passos da atuação humanitária de Clarice Herzog desde outubro de 1975, quando ela contestou publicamente a versão oficial apresentada pelos órgãos de repressão sobre a morte de seu marido. Segundo a coluna, a viúva transformou a busca pelo reconhecimento da verdade dos fatos em uma ação judicial inédita para a época. A sentença foi um dos principais capítulos da busca por memória e responsabilização em relação aos crimes cometidos durante a ditadura militar.
A coluna também mencionou as tentativas de impedir o andamento do processo. De acordo com o relato, a ditadura impetrou mandado de segurança para afastar o julgamento do caso e, posteriormente, aposentou o juiz João Gomes Martins. A ação foi então assumida pelo magistrado Márcio José de Moraes, que proferiu a sentença condenatória contra a União.