Heleno Cláudio Fragoso

Fundador do Fragoso Advogados em 1952, Heleno Cláudio Fragoso é reconhecido como um dos maiores juristas e advogados criminalistas da história da advocacia brasileira. Nasceu em 5 de fevereiro de 1926, filho de Luciano de Souza Fragoso e Felícia Ayres Fragoso. Por conta da morte de seu pai, quando tinha apenas dois anos de idade, trabalhou desde cedo. Formou-se em Direito em 1951 pela atual Universidade do Estado do Rio de Janeiro. No ano seguinte, criou o escritório, então com o nome Escritório de Advocacia Professor Heleno Cláudio Fragoso.

Heleno lançou sua principal obra, “Lições do Direito Penal”, aos 32 anos. Aos 35, com a tese “Conduta Punível”, derrotou um desembargador do Tribunal de Justiça do Distrito Federal na disputa pela Livre Docência de Direito Penal na Faculdade Nacional de Direito, da UFRJ. Sedimentou-se, então, na academia e começou a se tornar mais conhecido.

Na ditadura militar instaurada após o golpe de 1964, Heleno Fragoso atuou permanentemente em favor de perseguidos políticos na Justiça Militar Federal e nas Comissões Gerais de Investigação. Em um caso célebre, foi o advogado responsável pelo habeas corpus coletivo que libertou os quase mil jovens reunidos em Ibiúna (SP) para o Congresso da União Nacional dos Estudantes (UNE), em 1968.

O jurista defendeu ainda, entre outros casos de grande repercussão, a dona do jornal carioca “Correio da Manhã,” Niomar Moniz Sodré Bittencourt, que publicou um editorial atacando a ditadura; o escritor Caio Prado Júnior, crítico ferrenho do regime e proprietário da Editora Brasiliense; religiosos católicos que zelavam pelos direitos humanos; e o revolucionário Stuart Angel Jones, assassinado pelos militares na Base Aérea do Galeão, no Rio, em 1971. Destacou-se também na defesa de clientes proeminentes em diversos processos rumorosos de direito penal econômico, como os casos Coroa-Brastel, Delfin, Banco Econômico e Banco Comind.

Heleno também atuou em prol da família do jornalista Vladimir Herzog, torturado e morto no DOI-CODI do 2º Exército, em São Paulo, em 1975. No segundo júri do assassinato da socialite Ângela Diniz, foi assistente de acusação. Seu trabalho resultou na condenação do acusado, Doca Street, e na refutação definitiva da tese de “legítima defesa da honra”, até então evocada pela defesa de assassinos em casos de feminicídio. Por sua atuação corajosa em prol dos direitos humanos, foi sequestrado em 1970 por agentes não identificados, permanecendo desaparecido por dois dias. À época, era vice-presidente da OAB-Guanabara.

No campo institucional, Heleno Fragoso foi vice-presidente do Conselho Federal da OAB, conselheiro federal da entidade e vice-presidente da Seção da Guanabara, além de membro efetivo do Instituto dos Advogados Brasileiros (IAB) e integrante de seu Conselho Superior. Também participou de diversas entidades nacionais e internacionais, com destaque para a vice-presidência da Comissão Internacional de Juristas, em Genebra, e da Associação Internacional de Direito Penal, em Paris.

Na carreira acadêmica, destacou-se como professor titular de Direito Penal da Universidade do Estado do Rio de Janeiro e da Universidade Candido Mendes, além de livre-docente da UFRJ. Foi professor visitante da Universidade de Nova York e da John Jay College of Criminal Justice, da Universidade do Estado de Nova York. Recebeu o título de Doutor Honoris Causa pela Universidade de Coimbra. Ao longo de sua trajetória, publicou 14 obras jurídicas, consolidando sua relevância no campo do Direito Penal.

Heleno Cláudio Fragoso faleceu em maio de 1985, no Rio de Janeiro, aos 59 anos. Foi advogado militante até o fim. Até hoje, é reconhecido como uma grande referência nacional na defesa das liberdades públicas e do Estado Democrático de Direito.

Heleno Cláudio Fragoso

Títulos Universitários

  • Professor titular – Faculdade de Direito Candido Mendes, onde lecionou entre 1955 e 1985.
  • Professor visitante – John Jay College of Criminal Justice, da Universidade do Estado de Nova York, em 1983
  • Doutor "honoris causa" – Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, Portugal, distinção conferida em 1981.
  • Professor titular – Faculdade de Direito da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, por concurso de títulos e provas, realizado em 1981.
  • Professor visitante – Faculdade de Direito da Universidade de Nova York, em 1966.
  • Livre-docente – Faculdade de Direito da Universidade Federal do Rio de Janeiro, em 1961, com a tese “Conduta Punível”.
  • Graduado em direito – Universidade Livre de Direito (hoje Universidade do Estado do Rio de Janeiro) 1951.

Participação em entidades estrangeiras

  • Comissão Internacional de Juristas (Genebra) – Membro. Eleito para integrar o Comitê Executivo em 1977. Eleito Vice-Presidente da CIJ em 1981.
  • Associação Internacional de Direito Penal – Membro. Eleito para o Conselho de Direção no X Congresso Internacional de Direito Penal, realizado em Roma (1969). Eleito Secretário-Geral Adjunto no Congresso de Budapeste (1974), reeleito no Congresso de Hamburgo (1979) e eleito Vice-Presidente no Congresso do Cairo (1984).
  • International Law Association – Membro.
  • American Society of Criminology – Membro.
  • Société Internationale de Criminologie – Membro.
  • Centre de Recherches de Politique Criminelle – Membro.
  • Instituto Superior Internacional de Ciências Criminais (Siracusa, Itália) – Membro do Conselho de Administração.

Participação em entidades nacionais

  • Instituto dos Advogados Brasileiros (Rio de Janeiro) – Membro Efetivo do Conselho Superior.
  • Comitê Nacional de Direito Comparado – Membro.
  • Academia Paulista de Direito – Membro.
  • Instituto de Ciências Penais do Rio de Janeiro – Diretor. Após seu falecimento, a instituição passou a denominar-se Instituto Heleno Fragoso de Ciências Penais.
  • Ordem dos Advogados do Brasil – Seção do Estado do Rio de Janeiro – Membro do Conselho Seccional entre 1963 e 1970, período em que exerceu também o cargo de Vice-Presidente.
  • Ordem dos Advogados do Brasil – Conselho Federal – Membro desde 1971 até seu falecimento, tendo exercido igualmente o cargo de Vice-Presidente.

Acervo

  • Citações
  • Entrevistas
  • Homenagem
Homenagem
21 de agosto de 2015

Heleno Cláudio Fragoso – um mestre nos tribunais de exceção

Jorge Luis Rocha
Homenagem
18 de maio de 2015

Trinta anos sem o Professor Heleno Cláudio Fragoso

Leonardo Isaac Yarochewsky
Homenagem
02 de outubro de 2014

_A defesa de presos políticos

Fernando Fragoso
Citações
21 de agosto de 1991

De Beccaria a Filippo Gramatica

Evandro Lins e Silva
Homenagem
10 de abril de 1991

Heleno Fragoso e a reforma penal

René Ariel Dotti
Homenagem
06 de setembro de 1987

Memória de Heleno

Nilo Batista
Homenagem
11 de junho de 1985

Um cavaleiro do humanismo

Gilberto Chateaubriand
Entrevistas
08 de maio de 1983

Sistema Penitenciário mundial está falido

Jornal Zero Hora
Entrevistas
15 de novembro de 1981

Heleno Fragoso, 30 anos de advocacia

jornal O Globo
Entrevistas
10 de novembro de 1981

Playboy’s fall in Brazil aids feminist aim

The New York Times
Entrevistas
17 de dezembro de 1980

O júri deve ser popular

Revista Veja
Entrevistas
10 de dezembro de 1977

Direitos Humanos

Jornal do Brasil
Entrevistas
02 de julho de 1977

Direitos humanos – Uma preocupação permanente e universal

Jornal do Brasil
Entrevistas
02 de fevereiro de 1976

Brazilian’s reforms falling short of hopes

The New York Times
Entrevistas
13 de agosto de 1974

A lawyer in Brazil urges abrogation of curb on rights

The New York Times
Entrevistas
26 de agosto de 1973

Drogas, a busca de uma lei mais humana

Jornal do Commercio

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