O Globo: Rodrigo Fragoso aponta uso de fundos de investimento para ocultar recursos ilícitos como novidade do caso Master

O advogado Rodrigo Falk Fragoso, sócio do Fragoso Advogados, analisou as investigações da Polícia Federal no caso Master em matéria publicada no domingo, 24 de maio, em O Globo. Segundo ele, o caso inaugurou uma novidade em relação a esquemas anteriores: o uso de fundos de investimento como instrumento de ocultação de recursos ilícitos. “Os fundos são estruturas lícitas, mas só são rastreáveis até a página dois”, afirmou Fragoso. De acordo com o advogado, doutor em Direito Penal na USP, a regulação mais rígida sobre a circulação de dinheiro físico nas últimas duas décadas levou à adaptação dos operadores de desvios.

No lugar de malas cheias de dinheiro físico, esses agentes passaram a movimentar recursos por meio de operações estruturadas em fundos, contratos e participações societárias — o que dificulta a identificação do destino final dos valores. A matéria, assinada por Bernardo Mello, tratou da sofisticação da corrupção usando o caso Master como referência.

A investigação examina a circulação de recursos captados pelo Banco Master, de Daniel Vorcaro, por meio de uma rede de fundos ligados ao próprio grupo. As apurações indicam que contratos de consultoria, patrocínios e operações societárias teriam sido utilizados em relações com agentes públicos, o que motivou a análise sobre eventual vínculo entre essas transações e vantagens indevidas.

Fragoso descreve os limites práticos na rastreabilidade dessas estruturas: “O uso de fundos de investimento para ocultação de recursos de origem ilícita, que me parece uma novidade do caso Master comparado a outros casos, dificulta a identificação do beneficiário final. Já o dinheiro em espécie, além de uma forma mais rudimentar, hoje também é mais arriscado, por ser monitorado de perto pelo Coaf desde o momento em que é gerado.”

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